sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Rio 2016

Eu gosto de ser brasileira. Acho que ter nascido e vivido num país fora do "centro do mundo" nos dá um tipo de perspectiva diferente. Além disso tem o que eu chamo de 'inteligência afetiva' que é muito difícil encontrar fora daqui. Talvez eficiência, competência, organização, gerenciamento, objetividade e transparência na administração de um país se aprenda com o tempo. Afeto ou você nasce com ele ou não. Esse coração poético do Brasil gera uma música linda, um bom humor invencível, um salamaleque especial. Isso é a coisa que eu acho mais legal do Brasil. 

Que o Olimpo nos proteja!
https://www.youtube.com/watch?v=CKcEySuuUuE

Eu já viajei um monte e aprendi a ver o Brasil com olhos de estrangeira também. Alia-se a isso a sensação de forasteira que sempre me acompanhou, um banzo inexplicável de outras vidas. Mesmo com isso nunca tive vontade de viver de fato fora daqui. Porém recentemente - a gente vai ralando mais, ficando mais velho e mais realista, mais entendedor do quanto trocamos de vida por dinheiro e outras coisas - ando meio cansada desse "stress basal" que é viver em BH. Um estado constante de alerta, estratégias simples de sobrevivência e administração do perigo que vamos incorporando ao nosso dia a dia e achando normal, começam agora a me cansar um pouco, pela primeira vez. Essa roubalheira sem fim, essa busca inescrupulosa por vantagens, isso tudo que já conhecemos.


Mas com isso tudo, mesmo com toda lama e com toda a brahma eu quero desejar um ótimo ‪#‎rio2016‬ ao nosso país. Pensando nos atletas e nas pessoas que de fato se beneficiarão com os jogos. Tomara mesmo que seja muito lindo. Tomara mesmo!


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Mi patria son mis zapatos.

Chego em 2016 como que chega em casa de uma longa viagem. Como o primeiro dia depois de desempacotar as malas. Em 2015 conquistei Portugal, Marrocos e mais um punhado de territórios à minha escolha.

Mais ainda vastíssimo é esse mundo, porque ele começa do lado de fora e (não) termina (no infinito que há) dentro da gente.
Sair pra fora é bom. Mas melhor ainda é a jornada pra dentro do dentro de cada um de nós.



domingo, 9 de março de 2014

333 – O Projeto

 O que é?

Idealizado pela americana Courtney Carver (IG: @bemorewithless - FB: www.facebook.com/Project333), o projeto pretende ensinar às pessoas a viver com menos, começando pelo seu guarda-roupa. Além da proposta de se consumir menos, o projeto mostra como ganhamos mais tempo, energia e espaço mental quando simplificamos nossa vida.
De acordo com Courtney, 33 itens - incluindo roupas e calçados - seriam suficientes para viver bem durante uma estação (3 meses). Não entrariam nesta conta roupa de baixo, pijamas e roupas de ginástica. Jóias, bijuterias e acessórios de uso diário também podem ser mantidos fora deste número. Além das 33 peças que vão fazer parte de cada ciclo, o projeto sugere a incorporação de 3 ‘peças bônus’: itens que podem ser incorporados extraordinariamente de acordo com um evento específico ou uma emergência ‘fashion’. Depois de 3 meses, escolhemos outros 33 itens e assim acontecem os ciclos.
Ao final de um ano, ou 4 ciclos, pretende-se chegar a uma noção mais realista do que de fato precisaríamos ter no guarda-roupa e então pode-se doar, reciclar, vender o que não foi usado após este período.

O que faço com o resto?
Após selecionar seus 33 itens para seu primeiro ciclo (aconselha-se começar por suas roupas preferidas!), as demais peças deverão ser empacotadas, embaladas, separadas de alguma forma daquelas eleitas para o Projeto. Eu separei uma porta de armário pro meu ciclo onde organizei minha seleção e deixei as demais fechadas e esquecidas.


É pra mim?
Conversando com algumas pessoas (amigos, sobretudo) percebi que existem pessoas no mundo que não POSSUEM 33 itens no seu guarda-roupa. PARABÉNS!!! Outras dispõem de ajuda em casa pra lavar, pendurar, passar e guardar, então talvez as motivações sejam  diferentes.
Entretanto, pensando em quanto se gasta de dinheiro, tempo e energia, sempre encontramos outras áreas da vida também mereçam este olhar sustentável, já parou pra pensar?

É pra mim!
Decidi otimizar meu guarda roupa depois de perceber como estava sendo desgastante a rotina de lidar com tanta coisa. As roupas usadas se acumulavam pra lavar, as limpas passavam semanas no varal, depois era uma jornada longa ate serem guardadas e o mais incrível era que em nenhum momento eu senti falta delas! Ao mesmo tempo que dezenas de itens se acumulavam nesse ‘trâmite-lavanderia’, outras tantas continuavam sendo usadas, gerando um ciclo maluco de acúmulo que eu não conseguia solucionar.

Parece juros de cartão de crédito, né?
É claro que um guarda-roupa abarrotado veio de algum lugar. Resumindo a história, gastei mais do que devia no crédito e o resultado foram faturas e mais faturas a pagar (cartão cancelado e dívida renegociada – ufa!) e obviamente a necessidade de algum lugar (bem grande!) pra guardar tanta coisa linda (afinal eu gastei, mas gastei BEM!).
Junto com isto, algumas mudanças importantes na minha rotina me fizeram perder uns quilos extras e com o tempo eu acabei adquirindo mais roupas ainda que me coubessem bem neste novo tamanho.
Como cinco portas de armário não estavam sendo suficientes, percebi que era hora de simplificar.


sábado, 1 de março de 2014

Projeto 333 – Prólogo



                Há cinco anos me mudei das casas dos meus pais. Assim mesmo, no plural. Durante 22 anos me dividi entre dois lares amorosos e aconchegantes, e durante 22 anos multipliquei objetos, sapatos e peças de roupa. Carol Caracol então não precisava mais carregar sua mochilinha pra todo lado nem decidir de antemão onde iria dormir naquela noite. E agora, casados, temos que aprender a administrar uma casa em que o lixo não desaparece da lixeira, a louça não se lava sozinha e principalmente, as roupas não voam limpinhas e passadas pra dentro dos nossos guarda-roupas.


                Agradeço todos os dias por ter ao meu lado um homem independente que faz a própria comida e lava a própria roupa. Cultivamos então há cinco anos o gosto e o orgulho de fazer tudo o que sabemos dentro de casa e, caso não saibamos, procuramos aprender. Foi memorável nosso primeiro encontro com a máquina de lavar, face-to-face, um embate titânico homem/mulher e máquina. Olhávamos pra aquilo cúmplices numa inabilidade – dentre tantas outras – que o modelo brasileiro “Casa Grande/Senzala”  nos tinha trazido desde sempre.
                 Digo isto por que a grande maioria d
e nós não sabe mesmo fazer muita coisa em se tratando de casa, e o pior: espera-se que a mulher continue resolvendo as questões domésticas de um marido que nunca passou uma camisa (bem ou mal). Algumas amigas me perguntam se meu marido ‘ajuda’ em casa e eu respondo de volta: “Oi?”. Logo após o casamento, em geral herda-se algum tipo de ajuda doméstica. Mas aqui em casa a gente decidiu assumir o trampo sozinhos.



                E isto tem um preço, é claro.


                Máquina de lavar dominada (me encanta tamanha tecnologia: modo amaciante, função delicada, molho profundo, mini-carga...quantas possibilidades!) acabei percebendo a duras penas que não havia como viver sendo dona de sua própria bucha e sabão sem modificar as estruturas nas quais fui educada.
                Uma  querida amiga australiana, expert em cuidar da própria rotina, me deu uma vez um precioso e fatal conselho: “Vocês brasileiros ganhariam muito tempo na vida se relativizassem sua noção de limpeza e sujeira.” Incrível como a partir daí comecei a reparar como somos obcecados com esfregar, desinfetar, espanar, torcer, raspar, molhar, ensaboar... Ah, claro, desde que ‘alguém’ o faça pra gente.

                No último Janeiro abrimos maleiros e armários e reavaliamos o que de fato era necessário ter em casa. Presentes de casamento nunca usados, bugigangas que aparentemente fariam o maior sucesso na “vida-de-casada-que-eu-achava-que-teria”. Porque isto também herdamos: o ideal da profissional bem-sucedida E dona de casa que vai receber os amigos em festas incríveis com mil pratos e taças de cristais (porque alguém vai lavar depois, é óbvio).



                Após cinco anos você já sabe mais ou menos bem o que cabe na sua rotina e no seu apartamento, e a necessidade de se adotar um estilo de vida mais prático começa a gritar todos os dias na sua orelha. (Continua...)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Revoluções Por Minuto


Hoje, com 25 anos de atraso, fui ao show do RPM.

Não, juventude, não me julgue, não zombe de mim. Pra quem conheceu o Paulo Ricardo como “o cara que canta a música do Big Brother”, there’s a lot you’re missing here.

O ano era 1986 e eu não podia ir ao show no Mineirinho. Isso era coisa de adulto.

Neste tempo remoto existiam ‘músicas de cunho político’. Arranhavam-se faixas dos LP’s. Havia censura declarada, não essa coisa velada e caramelizada que (não) vemos hoje. A juventude era angustiada e se incomodava com coisas. Difícil de entender isso hoje, mas acreditem. Era assim mesmo. Raspinhas dos anos 80 que foram muito mais que uma década ‘fashion’ em que se usavam ombreiras, polainas e se ouviam fitas K7.

O Brasil era um lixo em muitos aspectos. O dinheiro mudava de nome a toda hora, e as coisas de preço a cada dia (às vezes no mesmo dia)! Não existia esse mundaréu de shoppings, importação, não havia Internet, nem CDs, não se viajava pros EUA com essa facilidade e ninguém queria ir a Buenos Aires.



O RPM era a banda mais roqueira que o Brasil – ou eu - já tinha visto até então, com direito a passagens de seu vocalista pela polícia por porte de drogas. Na época em que não existia muita psicologia infantil e o politicamente correto não havia tomado os meios de comunicação, eu de 7 anos e o Waltinho de 10, nos agredíamos física e verbalmente nos embates pela figurinha mais rara do álbum.  Nela havia uma foto do Paulo Ricardo sob uma luz que o deixava parecendo uma caveira, e ele – lembro que descobrimos isso com uma sensação deliciosamente criminosa – exibia uma narina sangrando. Era a coisa mais heavy metal que eu já tinha visto até então! Foi nossa única briga, primo – pela figurinha do Paulo Ricardo com o nariz sangrando que eu de fato não lembro quem foi de nós que tinha tirado...mas lembro da ira que senti quando tive que pegar em armas pra defender meu direito a ela.

E um dado muito importante: Paulo Ricardo era casado com a Luciana Vendramini, the ultimate trophy girl que qualquer cara da época daria a mão direita e outras extensões de seu corpo pra ter. Era o casal mais irritantemente perfeito da época.



Toque o meu coração

Eu vinha de uma fase intensa latino-americana em que o LP do Menudo animava minhas manhãs pré-escolares. Apesar de ser louca pelo Charlie eu entendia –sempre fui resignada – que a mim caberia, no máximo, o Ricky Martin, que na época tinha 13 anos. 


Engraçado como as paixões infantis acontecem. O rock do RPM me pegou pelo pescoço. Coisa de pirata mesmo. Eu nutria pequenas obsessões pelo Paulo Ricardo - que incluía ficar espiando as corridas de F1 naquele autódromo que se chamava (ou chama?) “Paul Richard” - mas não sabia muito bem o que fazer com tais paixões. Ou com ele. O que eu, aos 6, faria com um cara de 25 anos? Sei lá. Ele poderia me pagar um suco, me buscar na escola ou se casar com minha mãe. Qualquer coisa que o permitisse fazer parte da minha vida. É assim que deve ser com as estrelas do rock. Elas te enchem de ilusão, te fazem brigar com seu primo e anos depois destroem seu coração gravando a música do Big Brother.



Puxa vida, Paulo Ricardo.

Tá bom, por trás daquela narina sangrando também batia um coração. O lance com a Luciana foi baixo astral, imagino. Mas você era malvado. Você usava aquela camisa de telinha preta. Você fazia a voz rouca em London, London e eu nem sabia que a música era do Caetano. Eu confiava em você putz! Depois você gravou aquela música meio mística com o Milton Nascimento, que falava de ‘mágicos e faunos na floresta/lógica da física concreta/ cânticos eternos como o vento/ tempo de escutar a Terra falar’...eu já devia desconfiar.



Alvorada Voraz

Hoje vi você ao vivo, pela primeira vez. Eu me devia isto. Devia isto ao meu “eu de 1987”. Mas o rock já não cabe em você, ou você não cabe mais no seu rock, como também não cabe muito bem dentro daquela calça. Ou de qualquer outro estilo musical. Eu dancei, gritei, cantei junto... até durante Naja, que eu sempre pulava no disco pois não tem letra, eu fiquei em pé vibrando. Mas já não era você...a não ser pela voz, não acreditei que era você ali. Tantos casamentos e muitos quilos depois, um figurino trocado a toda hora, e pensado por alguém que deve ter recebido uma nota pra ‘criar’ aquelas combinações. Um monte de músicas bizarras meio romanticonas blasé, com o “P.A.- Paulo Pagni” e o bonitão do Fernando Deluqui ali fazendo um treco meio unplugged (eles estavam meio envergonhados, não estavam? Eu achei que estavam.). Depois uma versão – não se fazem versões, ainda mais dos Rolling Stones! – com um arremedo de coreografia Mick Jaggeriana. Não curto Stones, mas respeito. Foi feio. E não, o Mick não vai liberar os direitos pra você. Porque se liberar, aí nem respeito eu vou ter mais.

Como planejado pela produção, começou então a Pirataria. Confesso, me diverti muito, mas muito mesmo. Voltei no tempo e, aos 7 anos não existe nenhum tipo de julgamento a respeito de nada. Eu ri muito, me emocionei de verdade. Cantei as músicas pela primeira vez entendendo a letra. Vi que em “Olhar 43” você diz: “é a chave de todo pecado, e da libido”- aos 7 eu não conhecia essa palavra e achava que nessa parte você fazia um scat que pra mim soava “idaleebeedoo”.

Eu precisava ter visto este show de hoje. Nele o tempo passou como se eu entrasse no hiperespaço ou acelerasse dentro do DeLorean. Então hoje eu cresci.

Querido Paul Richard, te guardarei pra sempre num canto do coração em que você ficará congelado e não se parecerá em nada com o que vi hoje.

Em 1987 eu era mais plenamente eu do que jamais conseguirei ser de novo. 

E acho que você também.

(Waltinho, acabou de me ocorrer que talvez tenha sido você quem desenhou de caneta vermelha aquele sangue na figurinha pra me impressionar. Se foi você, por favor não me conte, tá?)

sábado, 10 de março de 2012

Mind the Gap

Tenho certeza que as pessoas que não dão a mínima pra Londres têm 768 milhões de vezes mais chances de ir a Londres do que eu.
Tenho calafrios, taquicardia, enjoos, hiperventilação, cada vez que penso na idéia de estar ali.
Como é que alguém mora, paga contas, pega trânsito e faz cocô em Londres??? Londres não existe. Londres está num filme, Londres está num livro. Na Wikipedia a palavra “Londres” acusa “etimologia desconhecida”...(http://en.wikipedia.org/wiki/Etymology_of_London) ou seja, cabe tudo ali; é a história de cada um... quem vai decidir o significado é cada pessoa. Pra mim Londres é o lugar da totalidade, da realização dos sonhos, do passeio limpo, do sarcasmo não apenas perdoado mas eternamente celebrado.
A parte de mim que sente – e causa! - estranhamento vivendo no Brasil encontra lugar confortável em Londres e leva um carimbo: “By Appointment to Her Majesty the Queen”, e logo abaixo, traz um aviso: “Mind the Gap”.

A cidade concentra uma infinidade de coisas que eu amo: o idioma, a arquitetura, a estética, o espaço público, Shakespeare, Harry Potter, a memória dos Beatles, a moda. Inclusive coisas que são sabidamente rechaçadas como a comida e o clima. O que faz com que eu ame ainda mais esta inexplicável melancolia que conversa intimamente com um pedaço de mim que eu nem sei se conheço muito bem. De toda forma, ele grita. Está aí o lugar do estranhamento, do diferente, da falta de identificação com o lugar onde nasci e sempre estive. Amo meu país, mas Londres entra onde não sou brasileira, mas uma mistura de um DNA estranho que conta histórias cujo murmúrio me dá apenas pistas da minha completa incapacidade de entender o que vai dentro de mim...mas que em muitas páginas soa em inglês.

O idioma que orientou minhas escolhas profissionais, que fez com que cada manhã fosse preenchida com ilusões e desejos de que a vida fosse um pouco menos comum. Que fosse possível contar a história de um outro jeito, que fosse necessário tocar uma outra música que explicasse melhor minha fome incontrolável. Um tipo de alento que te acalma naqueles momentos em que o dedo indicador ossudo e cheio de veias da Sra. Inadequação te aponta os vazios que só aquela unha afiada consegue trazer à luz. A Tia Psicanálise também não perde a deixa, e vem simplificando tudo, passando um detergente aroma erva doce por todo lado e categorizando tudo nos caixotes do Lugar do Outro, das Pulsões, da Falta. Mais uma vez, “Mind the Gap”.

Em alguns momentos, sou uma brasileira orgulhosa de minha condição latino-americana, de cidadã culturalmente híbrida. Em outros, sou Saladin Chamcha – “A voiceover artist and ardent anglophile...the man of a thousand voices and a voice” -  vendendo minha própria alma em favor de um inglês bem falado. O próprio fato de ter me formado em Literatura e Línguas me compõe também de aulas de Estudos Culturais, das Grandes Narrativas, da Alteridade... Meu Diploma bem enrolado me dá um tapa bem estalado no meio da testa e me faz lembrar que isto não existe, que isto é uma projeção da minha cabecinha louca, que tem milhões de pessoas vivendo ali que simplesmente não dão a mínima praquela cidade que, pra eles, é como qualquer outra. Tantos dariam tudo pra mudar dali, pra viver num país ensolarado e colorido. Da mesma forma que deve cansar viver num clima frio e nublado, essa felicidade solar obrigatória do brasileiro às vezes me deprime. As nuances das estações me interessam, assim como os matizes mais sombrios das pessoas.


Como num casamento feliz, me recuso a me acostumar e achar super trivial conviver com o homem lindo que mora comigo. Me recuso a achar banais as coisas que me falam ao coração. Adoraria ser mais blasé com relação a Londres. Mas aí perde-se toda a graça!

domingo, 1 de janeiro de 2012

quinta-feira, 28 de julho de 2011

“Sobre uma história bem contada”... ou “Nem sempre o Low Budget precisa ser tão Low...”


A moda deve ser uma história bem contada. Este mês li um livro muito interessante com uma história muito bem contada, chamado “Falling Angels”. A autora, Tracy Chevalier, é mais conhecida por ter escrito o romance que deu origem ao filme “Moça com Brinco de Pérola”. O filme me impressionou bastante pelas atuações de meus queridos Scarlett Johansson e Colin Firth e mais ainda, pela forma com que Tracy conta suas histórias. O livro “Falling Angels” não é escrito em capítulos, mas em vozes de cada uma das personagens, e através delas a autora fala da relação entre duas famílias tipicamente inglesas na virada do século 19 para o século 20, e lança mão mais uma vez de seu talento para traduzir sentimentos e conflitos através de imagens. É lindo como o filme com Colin e Scarlett consegue transmitir com imagens e primorosa iluminação o que vai dentro dos personagens. 
Em “Falling Angels” a descrição das roupas e acessórios da época é responsável por traçar um perfil interessantíssimo dos costumes - e da quebra deles - durante a virada do século, e como cada um dos membros daquelas famílias reage – e se veste - diante destas mudanças. Chama a atenção como no passado as pessoas tinham bem menos roupas e como cada um dos trajes deveria refletir com clareza o estado de espírito da pessoa de acordo com o propósito de cada ocasião. Os recursos em 1901 eram mais escassos, a indústria da moda era incipiente e uma meia dúzia de vestidos parecia ser suficiente para se adequar a cada estação; filhas herdavam os trajes das mães, pois as roupas não acabavam.
Na segunda metade do século 20 isto se perdeu, na medida em que os códigos de conduta e vestuário ficaram menos rígidos assim como regras, costumes e padrões de controle de qualidade das lojas. Hoje ainda buscamos imprimir no que vestimos certa propriedade ou estado de espírito, mas isto já não diz tanto de nós mesmos quanto de uma repetição do que está nos bombardeando nas vitrines e revistas ou o que foi mais em conta nas araras da promoção de inverno. Comprando produtos apenas porque são mais baratos tendemos a abarrotar nossos guarda-roupas de peças que possivelmente durarão pouco tempo, isto caso escapem do esquecimento – pois uma roupa que compramos apenas por ter custado tão baratinho corre o sério risco de cair no ostracismo do fundão das gavetas de baixo. Aquele vestido sensacional que consideramos mais um investimento que uma comprinha trivial – seja por seu preço ou qualidade, ou perspectiva de vida útil - com certeza terá maiores chances de estrelar casamentos, batizados, noitadas, chás da tarde e aniversários. E quando enjoarmos dele, sempre haverá uma amiga ávida por herdá-lo.
Conheci recentemente duas pessoas que me inspiraram a falar sobre como a moda conta histórias nos dias de hoje. Esta semana fui ao lançamento da coleção de inverno da Reserva, uma grife masculina preocupada com a qualidade de seus produtos e em contar boas histórias. O site já começa mostrando a loja e os produtos de uma forma criativa e agradável, e a navegação pelos links vale a viagem. Conversando com Rony Meisler, diretor da marca, me lembrei novamente da importância de contar histórias através da moda, e de como vale a pena investir em boas peças de roupa. Para os homens, que em geral compram menos roupa, isto parece mais viável, pois eles dificilmente são acometidos de episódios compulsivos de compras em grandes lojas de departamento. Aí está uma bela lição pra nós meninas. Tive também o prazer de conhecer, ainda que apenas virtualmente, a Joanna Moura, publicitária e blogueira do Rio, que lançou seu blog na esperança de economizar dinheiro ficando um ano sem adquirir nenhuma peça de roupa. Jojo quer mostrar pra outras moças pelo Brasil afora que é possível ser feliz sem consumir tanto, unindo higiene financeira a uma importante dose de autoconhecimento, através de uma grande análise combinatória fashion utilizando apenas o que já existe em seu guarda-roupa.
Conversando com Rony e acompanhando o blog da Jojo, comprovo o que acredito sobre a moda contar histórias: quando escolhemos peças especiais e de qualidade, independente de seu preço, marcamos nossos capítulos favoritos e ao revirarmos nosso guarda-roupa, recuperamos memórias e podemos ler ou reler algumas páginas viradas de nossa própria história.

Serviço
·          “Falling Angels” – Tracy Chevalier - http://www.tchevalier.com/fallingangels/index.html
·         Site da Reserva www.usereserva.com
·         Blog da Jojo  http://umanosemzara.blogspot.com

Site Bem Bonita

Há alguns meses tenho escrito para o site www.bembonita.com e daí o abandono do meu Mundo Fabuloso!
Como a vida deve ser sempre o mais Fab possível, re-postarei meus textos aqui pra inaugurar o segundo semestre com idéias, idéias, idéias...



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

indie tá virando mainstream...

1996: as mocinhas da Savassi olhavam torto pra meu coturno cor de feijão e pra minha camisa de flanela xadrez.
2011: as mocinhas da Savassi USAM coturno e as camisas xadrez (que elas compraram na Farm, lóóóogico, porque agora poooooode)
INDIE TÁ VIRANDO MAINSTREAM??? SOCOOORRO! PRA QUE LADO EU FUJO???
#kurtcobainreviranotumulo

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EXTRA!EXTRA! CINDERELA TINHA O METATARSO FECHADO!!! (inspirado em Lola Mag - Janeiro)

Coisa boa de se ler num início de ano: "Nem toda mulher nasceu pra andar de salto." Ufa!
Ao contrário do que muitas mulheres acreditam, andar de salto não é apenas uma questão de costume.
A nota da Lola Mag deste mês diz que isto é uma questão estrutural, e me deu um baita sossego.
Hippie de coração e vaidosa por vocação, fiquei tranquila ao perceber o porquê de não me adaptar a - MAIS OUTRA! - imposição femiina.
Também me fez pensar no que usar um impossível salto alto ainda significa pras mulheres de hoje.
Penso que na época das moças das cavernas, fashion era andar descalças pelas savanas, escalar rochas, subir em árvores, nadar no rio e levar os pequenos pra passear no mato. Sobreviveram as melhores adaptadas à rotina bípede.
Aí inventaram o salto alto.
Concordo que é muito elegante quando se sabe usar - e também que tem um potencial absurdo para a deselegância.
Desde os 12 anos danço, rodopio e sapateio em cima do salto e até hoje meus pés clamam pela hora do descalço.
Pernas longas e fortes me garantiram elegância pra andar em cima de qualquer sapato, mas dói. Bolhas, mini jooanetes e calinhos se pronunciam e me perguntam lá de baixo com os olhinhos marejados: "Porque você tá fazendo isso com a gente???". O preço sempre é muito mais alto que o salto em si.
Sempre desconfiei de mulheres que passam o dia calçadas em sapatos de salto alto, pegam ônibus, caminham pelas calçadas horrendas de BH. Quando a gente pergunta elas respondem "É suuuuper confortável...!" Não, moças, não é. Vocês é que perderam a noção da dor. O 'conforto' certamente veio acompanhado de dolorido treino. Vermelhidão, inchaço e encurtamento de tendões. Uma mulher que anda 'naturalmente' por horas em cima de saltos não é saudável.
Se não o pé, a cabeça deve estar cheia de calos.
Isto me faz pensar que a mulherada anda muito equivocada e que a noção de sensualidade continua castigando nossos corpos. Que pra que se sintam atraentes ou à vontade, as meninas e mulherem vivem se escondendo e se machucando - com objetos, acessórios chiquérrimos, com  rotinas e pensamentos. Que nunca são quem realmente são. Que "mas é óbvio que salto é sexy" mata qualquer criatividade. Que dá vergonha ser quem realmente são pois na verdade nenhuma de nós vem com photoshop acoplado. Que não necessariamente quem é mais belo ou sexy (de acordo com os padrões de agora) se diverte mais ou tem mais orgasmos.
(Aliás, conforme a conversa na mesa do Redentor no domingo, as pessoas precisam aprender que sexo é muito mais do que se acredita por aí...mas isto já dá outro texto...)
Foto não tem cheiro, não sente fome, nem calor nem dor.
E as moças descalças das cavernas eram tão inacreditavelmente sexies que deram à luz toda a humanidade!

sábado, 16 de outubro de 2010

PRESS TO PLAY

Reportagem de Talita Chaves para a revista "Noivas RJ".

Fã de carteirinha

Fã dos Beatles que se preze, leva a banda até para o dia do sim. E no caso da professora de inglês Carolina Romano, a paixão pelo grupo foi além da trilha sonora do casamento. O amor pela banda inglesa foi retratado no ensaio fotográfico pré-casamento, modalidade cada vez mais comum entre os noivos. A beatlemaníaca recriou a capa do "Press to Play", seu LP predileto de um dos ex-componentes da banda, Paul McCartney. "Meu pai tinha esse LP, e a capa do disco foi a primeira imagem de amor e romantismo que eu tive na vida", conta a noiva.



Foto: Márcia Charnizon

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ON PERFECCCTTTIONISM

When I hear someone proudly say: "I'm a perfectionist" I feel as sorry for them as if they had said they had lost a limb.



Poor things...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Great leadership

Friday July 30, 2010
Great leadership comes with trust and with giving over responsibility t
o the people behind or under you.
The more successful we want to be, the more we need to find a way t
o share some of that pressure and control with the people under us, and
encourage them to do the same with those under them and so on.

The universe works in such a way that a bit of everything we have
and we work on cannot be for us, enjoyed by us,
benefitted by us, used by us.
Trying to hold onto everything only makes things smaller.

Today, practice no attachment.
No control. Let everybody else enjoy from the fruits.
When you plant one seed, 100 people can enjoy the fruits,
so don’t try to hold onto all of them.

terça-feira, 27 de julho de 2010

14:21 HAI KAI



                                                        "Exame demissional": 

Las heridas del alma no se las puede detectar.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

The Fox and the Grapes by Aesop

"The fox who longed for grapes, beholds with pain
The tempting clusters were too high to gain;
Grieved in his heart he forced a careless smile,
And cried ,‘They’re sharp and hardly worth my while"
 
Sour grapes is an expression originating from the Aesop Fable The Fox and the Grapes. It refers to envious behaviour, especially pretending to not care for something one does not or cannot have. http://en.wikipedia.org/wiki/Sour_grapes

5:00 PM HAI KAI

‎

The grapes I offered the boss were sweet.
Sour was she.
Shame.

sexta-feira, 23 de julho de 2010